segunda-feira, 8 de julho de 2019

Antigamente Tudo Era Bom ( Parte I)

Antigamente tudo era bom, o mundo era um verdadeiro Paraíso Celeste com muita alegria, paz e harmonia entre os seres racionais e irracionais, animados e inanimados. Você que tem dez anos ou menos certamente não se lembrará dessa época, pois só a conhece através das palavras de pessoas que tem mais de 15 anos. Os que têm entre 11 e 14, apesar de terem vivido naquela época maravilhosa, não se lembram dela, pois eram muito novos.
Naquele período, que se estende desde a origem da humanidade até dez anos atrás, não havia violência; todos amavam o próximo  e ninguém era inimigo de ninguém. Não havia ladrões; portas e janelas de todas as casas ficavam abertas e só existiam e eram fechadas para nos proteger do frio e da chuva. Ninguém cobiçava ou invejava os bens dos outros a ponto de querer roubá-los. Afinal, não havia necessidade de querer o que não tinha, pois todos tinham tudo o que queria, pois ganhavam muito bem. Ah, que tempo bom!
Não havia ódio entre as pessoas, o que significa que não havia assassinatos e, nem mesmo, agressões físicas. Na verdade, não havia crimes de espécie alguma.  Os policiais daquele tempo existiam apenas para ajudar as pessoas, levando suas pesadas compras (afinal, todo mundo tinha muito dinheiro para comprar o que quisessem) para suas casas. Esses grandes amigos, funcionários públicos de um estado justo e sem desigualdade, também iam atrás de animais que se perdiam de seus donos, ajudavam velhinhos e cegos a atravessarem as ruas, contavam piadas através de um megafone para alegrar a sociedade, enfim, eles não existiam para combater a violência, já que isso não existia. 
 Você, que é jovem atualmente, vive numa época em que delegacias e presídios servem para abrigar criminosos, mas na época em que eu e todos os meus antepassados éramos jovens, as delegacias e presídios eram lugares, onde delegados, detetives, agentes penitenciários e escrivães se reuniam, bebendo suco natural, e se encontravam com policiais militares (soldados, cabos, sargentos, tenentes e demais patentes da polícia fardada) que iam todas as noites às delegacias e presídios para entregar relatórios sobre os auxílios prestados à população e quais piadas foram contadas durante o dia para um povo, já alegre por natureza. 
O nome presídio, naquela época paradisíaca, não tinha nada a ver com “preso” ou “prisão”, mas se originava de “prezado”, pois naquele local estavam os prezados amigos do povo.  Porém, vamos deixar a semântica daquela época para outra ocasião, pois temos assuntos muito mais relevantes para serem tratados neste texto como, por exemplo, a saúde naquela época.
Como não existiam bebidas alcoólicas, nem cigarros nem qualquer outra droga para preencher o vazio existencial (que não existia, pois a vida era plena), a maioria da população morria de causas naturais aos 150 anos, respirando um ar puro e alimentando-se saudavelmente.  Os hospitais só existiam para atender idosos acima de 120 anos e mulheres grávidas. Também não havia mortalidade infantil, já que toda mãe era saudável e só fazia sexo após o casamento com um homem saudável, também virgem até a noite de núpcias.
As crianças, que nasciam saudáveis e felizes, a partir dos três anos de idade brincavam nas ruas até tarde da noite, pois não existiam pedófilos, sequestradores,  nem tiroteios nas ruas. Por falar em tiroteios, as armas só existiam para lançar balas doces e saborosas para as crianças que ficavam nas ruas até duas horas da madrugada e acordavam às seis da manhã, animadíssimas, para irem para a escola, lugar onde havia muito amor e respeito  pelos professores .
Como haviam muitas maravilhas naquela época, resolvi dividir o texto em partes( ainda não sei quantas) e postá-las semanalmente. Nas próximas partes desta série sobre o maravilhoso passado, além de outros assuntos, vamos falar sobre a arte daquela época e como o mal surgiu e se desenvolveu há dez anos.

Marcelo Maia
Licenciado em Filosofia pelo CEUCLAR BH