Existe coisa pior que
conversar com um burro? Pode parecer que não, mas se tem algo que me irrita
mais que uma conversa com um estúpido ignorante é um diálogo com um burro que
se considera sábio. O “sábio-burro” é o cara que aprende alguma coisa na
internet, na televisão ou em qualquer outra mídia e fica ansioso para
demonstrar seu conhecimento, afinal quer mostrar que não é tão imbecil como os
outros pensam. No entanto, o sábio-burro não sabe que há hora e lugar certo
para tudo, inclusive para expor o que se sabe. São tantas besteiras que saem da
boca de um desses sujeitos que apenas um terço delas já seria
assunto para um livro, por isso nos parágrafos seguintes apresentarei apenas
alguns “conhecimentos” etimológicos do burro-sábio.
Para começar, o próprio termo
que uso aqui para defini-los já é um bom motivo para um sábio-burro querer mostrar seus “conhecimentos”
linguísticos. Para aparecer e por se
achar inteligente, começa a dissertar sobre o animal quadrúpede:
“Há há há!—o sábio-burro
adora rir antes de suas explicações intelectuais— o burro é um animal
inteligentíssimo, pois se souber que há um perigo adiante, ele não prossegue em
sua caminhada.” É claro que até um
sábio-burro sabe que a palavra “burro” é usada como um termo pejorativo para se referir a pessoas com pouco
conhecimento em uma ou mais área. Portanto, sua intenção não é instruir, e
sim aproveitar a oportunidade para mostrar sua “grande sabedoria”, mas nem
sequer sabe que os ignorantes como ele são chamados de burros porque empacam em
uma ideia, o que os impedem de ultrapassar o nível intelectual em que se
encontram.
Irritante mesmo é quando o
sábio-burro decide mostrar seu conhecimento sobre a origem das palavras, mas
não com a intenção de satisfazer a curiosidade de alguém, e sim porque quer
refutar um argumento ou, como já foi dito anteriormente, para mostrar que é o sabedor de
tudo. Se ele fica sabendo que uma pessoa
não crê em divindades, não hesita em perguntar qual a religião de tal pessoa só
para ouvir a palavra “ateu” e começar com sua aula de etimologia:
“Há há há! A palavra “ateu” vem do Grego “atheos”
que significa " o que nega e abandona os deuses". Sendo assim, se você nega
ou abandona um deus significa que você acredita em sua existência, pois como
negaria ou abandonaria o que não existe?”
Por falar em religião, o nosso “amigo sábio” também não perde tempo quando
escuta tal palavra e já vem com aquele
blá blá blá de que o termo tem origem em “religare”, que em latim quer
dizer religar, reatar. Ainda no campo religioso, ele vai dizer que você não
frequenta igreja, pois a igreja é a própria pessoa, afinal ela tem origem na
palavra grega "ekkyesia" que significava simplesmente um ajuntamento do
povo. Haja paciência!
O que esse “inteligente” ignora é que a linguagem é algo dinâmico e que
com o tempo as palavras adquirem novas formas, novos significados e suas
origens não anulam o que elas expressam posteriormente.
Controle-se quando estiver próximo a um desses “etimólogos” e um de seus
dedos do pé bater em um móvel, porque se você gritar aquele palavrão,
certamente irá ouvir que “ o que você disse é uma caixinha redonda usada para
guardar rapé”.
Até a próxima.
Marcelo Maia Gomes
Licenciado em Filosofia pelo Ceuclar
Nenhum comentário:
Postar um comentário